Publicamos

Muitas Cabeças Muitas Sentenças

28 Jan, 2015 28 Jan, 2015

Muitas Cabeças Muitas Sentenças

Ao longo do meu aprendizado sobre essa teoria, fui me dando conta de que o conhecimento via representações sociais é um tipo de conhecimento que gosto de chamar de segundo grau, ou de “segunda mão”, não poder menos relevante do que aquele obtido de “primeira mão”, mas na medida em que se chega interrogando a realidade através do que se pensa sobre ela. Exemplificando: ao invés de centrar a análise nos dados brutos de um determinado fenômeno, interroga(m)-se o(a) imaginário(s) construído(s) sobre este fenômeno.
Privilegia-se, pois, a linguagem em sua condição de dispositivo analítico. Falando, por exemplo, de violência e de violência policial, temas tratados por Aline e Eduardo neste livro, pode-se admitir que na medida em que a violência é capturada pelo viés das representações sociais, o que se coloca como conteúdo para a análise sociológico são os sentidos empíricos, formulados pelos atores sociais; sentidos permeados por crenças, valores e efeitos de hierarquização levando o(a) pesquisador(a) a se interrogar sobre que crenças e valores são esses e como estruturam e presidem a vida social.
Quando consideramos as representações como categoria analítica, lidamos com conteúdos valorativos por excelência, pois é desses conteúdos que tais representações se constroem. Ao fazê-lo, reinserimos o debate sobre o papel e o lugar da subjetividade na teoria e sobre sua relação com o também recorrente requisito da objetividade, como condição para a produção do conhecimento válido e relevante para a compreensão sociológica.
Dessa forma, através de uma estratégia de coleta de informações, que ouviu participantes e não participantes do projeto, além dos gestores responsáveis por sua implementação, Aline e Eduardo se muniram de um potencial de informações que, oriundas de grupos focais e de entrevistas, puderam propiciar uma análise comparativa, apontando como e em que medida ambos os grupos – participantes  e não participantes – se aproximavam e/ou se distanciavam em suas formas de representar as práticas promovidas pelo PRONASCI na região.

Deseja adquirir essa publicação? Faça contato conosco!