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Menosprezo transformado em arte - bloco

05 Dez, 2017 05 Dez, 2017

Menosprezo transformado em arte - bloco

"No Mundo da Lua" - bloco performático unindo percussão e artes plásticas (nos estandartes e chapéus), será lançado no dia 10 de dezembro de 2017, por ocasião do Dia Internacional dos Direitos Humanos, com desfile das 10h às 12h, na Av. José Bonifácio/Brick da Redenção, com saída da Igreja Santa Teresinha em direção ao Monumento do Expedicionário, como integrante do Ato Show "Pelo Direito a Ter Direitos" e "arrastão" com estudantes universitários da Psicologia, Direito e Serviço Social da FAPA, UFRGS e FADERS, bem como voluntários(as) do "Projeto Direito no Cárcere", etc. O evento tem a organização da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia do RS e apoio do Instituto Fidedigna (IF), entre outros.

A iniciativa surge do Projeto ARTinclusão, liderado pelo educador social Aloizio Pedersen, e do Afro Sul - Odomode, por Paulo Romeu, que aceitaram o desafio do Departamento de Desinstitucionalização do Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) para realização de oficinas de pintura e percussão, respectivamente, com seus pacientes, com o apoio da Vara de Execussão de Penas e Medidas Alternativas (VEPMA). Como resultado desse processo já foi empreendida uma grande exposição com setenta obras, transformando a Instituição numa grande galeria de arte, com comercialização das mesmas e verbas integralmente transferidas para seus artistas.

Os componentes de ambas as oficinas são pacientes que cometeram delitos em função de transtornos mentais (esquizofrenia 60%, outros desequilíbrios mentais 20% e, ainda, dependência química 20%), geralmente em situação de negligência, desconhecimento clínico de seus familiares ou extrema vulnerabilidade social. Muitos com medida já extinta e sem ter para onde ir, por abandono familiar. Agora estão integrados a um esforço coletivo de resgate desse convívio social a partir da arte e da cultura.

Observe-se que as atividades iniciadas em junho deste ano já apresentam resultados surpreendentes: "Já notamos uma diferença muito grande nos que participam: ficam mais falantes, mais abertos, mais dispostos ao tratamento. E o principal: expondo seus medos, suas angústias, seus receios nas telas ou nos instrumentos, conseguindo colocar aquilo que estava aprisionado dentro de si." registra o  Juiz Luciano André Losekann da VEPMA. "A arte é transformadora, organiza o pensamento, traz um resgate da autoestima e empoderamento, visíveis na postura individual e na mudança de atitude dos pacientes artistas. Os agressivos passam a ficar mais calmos, mais estáveis. " aponta Adriana Vidal Feijó - Assistente Social e Coordenadora do Desinst/IPF

Agora o público poderá conferir e prestigiar toda a arte que vem detrás dos muros mais indesejados e vilipendiados da Capital: do "Manicômio" Judiciário da Bento Gonçalves. Uma resposta cultural e criativa dos "esquecidos dos esquecidos", de todas as humilhações, injúrias e ofensas que sofrem. Hora de rever conceitos!

O IF apóia esta iniciativa! Maiores informações com: Aloizio Pedersen/ARTinclusão - 51-99986.6250

Arquivo disponível para download:

Baixar arquivo aloizio_06_12_-_05-12-2017.jpg